quinta-feira, 12 de junho de 2014

(2014/590) Um sonoro não á máxima de que Teologia tem de ser discurso sobre confissão


Eu não concordo, nem um pouco, que o limite da Teologia seja a confissão. Não, não e não. O teólogo, vinculado a esta ou àquela confissão, a teóloga, vinculada a esta ou àquela confissão, é ele e é ela que decidem interromper a reflexão e o desdobramento da reflexão teológica no limite da subserviência racionalizada à confissão. Ele, teólogo e ela, teóloga. A teologia não precisa, sob nenhum argumento, restringir-se ao dogma, à confissão, à doutrina, à tradição, racionalizando-os e os vendendo como pacotes de saber filosóficos e sistemáticos. O teólogo o faz porque o quer. Ponto.

O que eu quero dizer é que eu recuso o discurso de que isso é que é teologia. Não, não é. Isso é uma auto-limitação a que se impõe o teólogo e a teóloga porque estão vinculados, para não dizer presos, a uma autoridade religiosa e teológica, a instâncias políticas, às quais decidiram servir e servem. 

Não tenho nenhum problema com teólogos que desejam servir a autoridades religiosas, em nome delas ou a título de servir ao povo e aos pobres, tanto faz. Não tenho. Cada teólogo é livre para fazer a teologia como queira, da forma como queira, livre para impôr a ela os seus próprios limites pessoais. Não me meterei na vida de nenhum teólogo que trabalhe para dentro dos muros de sua tradição e o assuma que o faz porque é o que quer fazer.

Mas creio, na condição de teólogo, que não posso aceitar que a Teologia seja transformada nisso e só nisso: reflexão de doutrinas, discursos auto-limitados propositadamente por credos teocráticos, na verdade, hierocráticos. Não. Não aceitarei jamais que a Teologia seja definida como isso: reflexão da fé e na fé, de modo que quem deseje outra coisa que vá fazer Ciências das Religiões. Não. Para mim, teólogo, teologia não está a serviço de dogma algum, de fé alguma, de tradição alguma - de sorte que tem de nascer ainda, porque, fora de dogmas e doutrinas, sem disfarces falso-filosóficos, que teologia já nasceu?

Pois que nasça.

Mas corpo morto não carregarei nas costas.

Cada teólogo faça o que deseje fazer, mas não diga que isso é a teologia. Diga que é o limite que ele mesmo se impôs e impõe na sua reflexão teológica, porque, ou não quer dar um passo adiante, ou não pode, ou não sabe.

Que quem possa, queira e/ou sabe o possa fazer sem ter de ouvir que faz outra coisa que não teologia.













OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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