domingo, 22 de setembro de 2013

(2013/1106) Narcisismo pós-moderno do conceito


Olha que conceito lindo!...

Mas ele diz que o triângulo é quadrado...

Ah, mas é lindo! Não te perguntei a opinião...

Ah, tá...









OSVALDO LUIZ RIBEIRO



7 comentários:

Allison Duarte disse...

Soubesse vc o que é um conceito em Filosofia! construto peculiar da prática filosófica...

A beleza de um conceito é apenas uma dimensão! Há uma rede de conceitos que se interligam em determinado Filósofo e compõem um mundo. Como é delicado produzir um conceito!Há toda uma problemática ao qual ele responde. É uma forma de operar diferente da Ciência e da Arte.

De fato, talvez vc tenha razão: se num conceito filosófico há um paradoxo, a doxa deve apenas recuar e se despedaçar.

Mas há que se perdoar um teólogo por acreditar tanto na doxa.

Recomendo "O que é Filosofia" de Gilles Deleuze e Felix Guattari. Mas eu entendo o quanto é difícil livrar-se da formação religiosa.

Peroratio disse...

Curioso como você parte (sempre) do pressuposto de que não sei... Curioso mesmo, isso...

Deixo de lado essa sua mania, esse seu pressuposto...

De outro lado, jogar-me à face a minha "formação religiosa". Essa é para rir... Para morrer de rir...

Quanto ao livro que indicas, tenho-o. Li-o. Mas prefiro Jerome Barkow...

E acho formidável o discurso de que na Filosofia a doxa se esborracha... Essa é de dar frissons...





Allison Duarte disse...

Eu, como vc, "acredito" no conhecimento objetivo... minha questão não é essa grosseria binária:objetivo vs não-objetivo. Simplista demais. São os graus dessa objetividade, o quanto de "objetividade" há no chamado conhecimento objetivo...O que se quer é o máximo de objetividade!!! O máximo de realidade que podemos! Passa isso bem longe de relativismo bobo... ou essas bobagens das quais vc acusa.

Isso pra dizer que não é um pressuposto a sua "ignorância". Eu entendo que vc não é nada ignorante. É objetivamente sua demonstração na escrita. Ninguém que tenha passado pela História da Filosofia fala assim de conceitos! Quanto ao "frisson", desde antes de Heráclito há uma dualidade entre aletheya a doxa. Não é invenção "pós-moderna", logo... é um sintoma da não passagem pela História da Filosofia.


Engraçado como vc acusa do inverso do que penso. Já que como "pensamos", exige-se livrar-se das ficções para ter mais real, e isso certamente requer problematizações por ex. da instituição epistemológica moderna por excelência, Kant. Vc diz que foram os pós-modernos a diluir o real, no entanto as bases da modernidade, Descarte e Kant, foram os primeiros a subordinar o real a um sujeito prévio e metafísico.A dizer que o real tem algo de projeção do sujeito a priori. Não descarta isso, descarta-se que seja só e tão somente isso. Pode-se conhecer mais do que essa projeção, por ex. Spinoza e Bergson nos dirão isso. Há graduações nesse conhecimento objetivo, e pode-se mais do que se determinou como os cógitos. "Não se sabe ainda o que se pode um corpo": nos dirá o Benetictus.Isso é uma problemática da Historia da Filosofia, não tem nada de contemporâneo nisso! Dizer isso tem algo de ignorante e apressado.

Querendo vc ou não, isso é objetivo o bastante para os interessados, muitos pressupostos kantianos se escondem por ex. na neurociência. Há demasiada subordinação do real as categorias a priori do sujeito entendido atualmente como orgânico.

A minha investigação é profundamente limitada a área da Filosofia, e pela Filosofia eu saio da Filosofia em direção a Ciência, não tem como ser diferente, já que cientista eu não sou.


O que quis dizer é que não espero nem exijo que alguém da área de Teologia ou Ciências da Religião tenha alguma delicadeza pra com a Filosofia... Em muitos e muitos pontos vc tem uma superioridade abissal sobre mim, que sou ainda muito novo e não sou nenhum doutor... Seria bobo exigir essas delicadezas. Só que algumas coisa que vc escreve são muito grosseiras... gente lê essas coisas...talvez ache a última palavra. Nem quero que a minha seja a ultima, nem estar certo, quero colocar os problemas que, ao menos onde fui e sou formado, são as coisas mais corriqueira.O que quis dizer é que talvez, embora com todos os méritos, as formações religiosas pode ser cheias de preconceitos apressados, Deus se disfarça no Homem...o fanatismo religioso se esconde na ciência...isso é clássico. E embora não se saiba, o inconsciente que se produz é superior aos poderes da consciência; nem se percebe quando se está sendo religioso, a maioria as vezes.

Peroratio disse...

Bem, já mudou drasticamente o quadro... Sai-se de uma geleia de conceitos para um chão firme, onde há objetividade, mas marcada por subjetividade...

Se a declaração não for meramente retórica, estamos em solo moderno. Se não passar de retórica, volta-se para o lamaçal pós-moderno, em que nada se pode pegar com a mão, mas os pós-modernos fazem que pegam, porque eles têm discursos firmes sobre os discurso "infirmes" dos outros...

A presença da subjetividade é ululante. Você, que gosta de usar a palavra "bobagem", ouça-a de volta: uma bobagem, um lugar-comum.

A questão não é se há subjetividade, já que somos sujeitos e só podemos funcionar na condição de sujeitos a questão é se os olhos desse sujeito conseguem ver ou não.

Se sim, voltamos ao meu mundo. Se não, não sei por que estamos discutindo, já que tudo é espuma...



Allison Duarte disse...

Não é retórica,pra mim em consonância com outros autores com quem penso, todo o exercício de pensar se faz rasgando as obstruções, os clichês, as maquinações epistemológicas que nos danam a cognição do mesmo, que castram a capacidade de mais objetividade e mais neutralidade.Sim, neutralidade!

Talvez a pecha de pós-moderno nasça das "nossas" questões colocadas aos cógitos que fundam a modernidade. Mas dizer "pós" não é o caso, já que não se trata de superar a modernidade(não existe superação em Filosofia!), mas colocar problemas, extrair deles uma potência maior de conhecer o real, que talvez as formações e instituições históricas da época tenham impedido. É antes continuar a modernidade, avançar em suas forças críticas. Toda a conquista da liberdade é idêntica a uma conquista de maior objetividade e neutralidade, maior conhecimento do real, um conhecimento da imanencia, cada vez mais imanente e despojado de ficções. Não pode ser retórica isso; é toda a prática da liberdade de alguém que faz do pensamento a vida, e da vida o pensamento.

Talvez, o que estranhamente faz causar esse efeito inusitado de um "esvaziamento da realidade", seja o colocar problemas à representação. Quando a representação é vista como realidade, questionar a representação se torna agnosticismo do real.Mas isso, ao meu ver, foi inventado pelos preguiçosos precipitados que não quiseram entender o problema, sossegados em seus castelos de certezas, e a função castradora que a representação exerce tanto na Ciências naturais e humanas, quanto na Filosofia. Não é que a representação não seja real, que não contenha real, o problema é que tem pouco de real, um real sob medida, controlado, útil, e que sempre funcionou politicamente. Todos os avanços das Ciências aconteceram quando se romperam esses clichês. O que quer-se é rasgar os clichês e aumentar a potência de conhecer o real, mais objetividade e mais neutralidade.

ps: Aqui é preciso situar-se em todo o debate a cerca do que é e como funciona a representação, que precisa ser bem conceituada aqui pra não dar maus entendidos.

Allison Duarte disse...

Somos sujeitos,mas ironicamente foi sempre a noção de sujeito quem obstruiu o conhecimento do real. Ex.Uma das diferenças que há no cógito de Spinoza e o Cógito de Descarte.Em Descarte,a substância pensante se coloca como absoluta diante de um real sempre suspeito de fantasmagoria. Ele pode apenas ter a certeza de si mesmo, a consciência. Spinoza não, diz que essa certeza de si mesmo é um 1º gênero de conhecimento; o 2° gênero seria conhecer as causas externas de tudo que nos afeta de fora, a matéria, e ainda haveria um 3º que seria conhecer a essência das coisas em si mesmo. Sem debates com Descarte ele traçou outras linhas para o conhecimento do fora que desfaziam o cogito cartesiano, que aliás tinha uma substância diferente da matéria e contava com Deus para harmonizá-lo com ela.

Descarte,seria pós-moderno, e no entanto, é um dos pilares da modernidade.

Allison Duarte disse...


É que as noções de sujeito foram reguladas pela ideia de "ação sobre a matéria", e não "conhecimento da matéria". Quando questionamos a representação, é que é a fatia de conhecimento útil que serve apenas para atuar sobre a matéria, e não conhecê-la em si mesmo.

É preciso enxergar que o humano tem esse tipo de conhecimento útil que prevê e age sobre o fora, mas tem um grau de conhecimento desse fora baixo nesse setor. Urge então escapar desse esquema da ação sobre a matéria, sensório-motor, para conhecer esse fora em si mesmo; isso é; efetuar toda a nossa potência de conhecer o fora, seja com ciências, filosofia ou artes. (isso aí já leva a outra conversa)

É isso que chamo de pensar! que distinguo de cognição, que seria apenas reconhecer algo para atuar sobre ou diante.

Não há a menor condição de eu ser um agnóstico do real, estou sobre o solo de Spinoza; há nos corpos e mentes humanas uma potência (talvez nem tão humana) de conhecer a matéria e as causas que nos afetam de fora, e esse conhecimento é idêntico a liberdade e a alegria. Sem ele somos escravos das superstições e tristes, no sentido spinozano.

As vezes, me surpreendo com seus escritos (agora vem debates), é que vc atribui, via ciências, uma potência de conhecer o real orgânica, cerebral; nisso não estamos de acordo. Penso que o organismo esquadrinhado pela ciência biológica talvez só seja capaz do 1º gênero de conhecimento. O conhecimento necessário pra agir sobre o fora e sobreviver, o que institui o bom senso, e que pode se prolongar em alguns postulados da ciência.

É que o organismo se constitui e consegue emergir sobre esse conhecimento da previsão e da ação sobre o fora. Sem isso ele não vive. Mas na vida humana há um tipo de potência para além do orgânico, um potência de síntese que diferencia a matéria e o psiquismo e o organismo em si mesmo. Chamamos a "potência do corpo" e não o organismo. A diferença do corpo pro organismo é importante:o corpo não tem só coisas com carbono, ele tem um poder de contrair o fora e sintetizar e diferenciar em si. Produzir em si um inconsciente, digamos. Não seria preciso invocar Deus doador de racionalidade, e nem uma racionalidade a priori metafísica. Há uma potência produzida pela síntese do fora, da matéria, síntese de coisas inorgânicas.Estamos aqui por ex. com o empirismo de Hume. Isso, sei, pode levar a longos debates. Mas quando se atribui o conhecimento humano as funções do organismo, a verdade é que perdemos muito do real, começando pelo próprio humano! Já que o humano não é constituído de forma alguma apenas de organismo, mas de um poder contraente que consegue sintetizar o inorgânico e diferenciá-lo e si de maneira imprevisível e inusitada. Sempre que a vida humana é desfeita em organismo, soa-me perigoso, o empobrecimento da vida. Ex. quando as eugenias americanas e alemãs e italianas e até brasileiras pretendem sua engenharias políticas e sociais, reduzem o humano ao biológico, aos cromossomos e genes, despojadas dessa potência de contrair e diferenciar o inorgânico, despojadas de transcendental. Por transcendental entenda apenas a potência de diferenciar-se por síntese do fora, nada metafísico e nada religioso.

Blasfêmia, não?

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