sexta-feira, 22 de março de 2013

(2013/304) Parábola de sal


1. Irenio Chaves, que foi meu professor de Novo Testamento no Seminário Batista do Sul do Brasil, em Nova Iguaçu, na virada dos 80 para os 90, colega doutor (ou doutorando, talvez - ambos, PUC-Rio) e pastor escreveu uma pensagem no Facebook sobre gente que quer ser sal fora do saleiro sem nunca ter experimentado o desconforto do saleiro... Como um raio, a inspiração atravessou meu crânio. E deixo-a aqui na forma de uma reação...

(...)

O sal nasce livre. É filho da Natureza. É Neto do Sol. É carne de estrelas. Não foi feito por homens. Nada, livre, nos mares, dorme, sereno, nas profundezas da terra...

Os homens, todavia, caçam-no, colhem-no e o guardam em saleiros...

O sal, um dia livre, é, agora, ser de saleiro. Sua casa, antes a Natureza é, agora, um pote de plástico, de vidro, de tijolos...

Há sais que, capturados no saleiro, acostumaram-se. Conformam-se a ser do tamanho do orifício por onde dizem que têm que sair - aceitam seu destino traçado pelos donos dos saleiros. 

Se está bem assim para eles, que seja.

São sal. Mas sal de saleiro.

Há sais que foram capturados por Companhias de Jesus e encontraram-se dentro de saleiros, grandes e pequenos, de todos os tipos, de todas as cores e marcas. Mas nunca se sentiram, de fato, sais de saleiros. Foram embora, desertaram e guardam apenas a memória de, um dia, terem passado por lá.

Se está bem assim para eles, bom para eles...

Todavia, há sais que nunca, jamais foram capturados por administradores de salinas. Nunca. Não sabem o que é a tampa e o fundo de um pote de sal, o que são conformidades anatômicas, dosagens, utilidades de mesa e fogão. Vivem livres, desde que surgiram pelas mãos do Universo...

São sal.

Não precisam passar por saleiros para fazerem-se sal...

São sal por direito de nascimento...

Não são sal porque foram capturados por saleiros...

Os saleiros os capturaram porque eram sal...

Sal da Natureza.

Que nunca se estraga...





OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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