1. Sempre ouço isso: o fundamentalismo é moderno... Sempre. E, geralmente, de pessoas que têm uma ponta de relação mal resolvida com a modernidade - pessoas que até se beneficiam da condição moderna, mas que, se podem, menosprezam o tempo...
2. Bem, será mesmo o fundamentalismo um fenômeno moderno?
3. Se for, e eu não estou muito certo, alguém terá de explicar, por exemplo, a santa Trindade: Justino - Ireneu e Tertuliano e sua máxima alegoria, tradição, autoridade, nos termos da qual só há uma leitura correta das escrituras, a da tradição, e todas as outras são heresias.... Heresia!
4. Ireneu escreveu um livro chamado Contra as Heresias!
5. Os argumentos são os mesmos que os ortodoxos usam hoje, presbiterianos do Mackenzie ou batistas de seminários daqui e dali, ainda que tenha "estudado" (?) na Alemanha...
6. Se o fundamentalismo é moderno, não era para ter ocorrido isso nos séculos II e III. Agostinho, por exemplo, do V, não podia ter escrito o que escreveu sobre donatistas, nem ter argumentado como argumentou, defendendo até a violência!
7. Nem a violência religiosa é moderna!
8. Seja a cabeça-dura normativo dogmática (o fundamentalismo), seja a violência decorrente dessa posição epistemológico-política, seja o jogo de poder em torno disso, nada disso é moderno, conquanto sobreviva na modernidade, justamente na porção pré-moderna que sobrevive nela - a religião e a política autoritária, mesmo a estadunidense, disfarçada de democracia.
9. Não, definitivamente, a modernidade é é remédio contra isso.
10. Fundamentalista é o cara que nasceu no século XX, mas o óvulo de que foi gerado foi fecundado em algum lugar da cristandade clássica e medieval...
11. Não há nada de moderno aí.
OSVALDO LUIZ RIBEIRO
2 comentários:
Mas se a modernidade fez foi justamente criticar o discurso religioso!
Fundamentalismo moderno é essencialmente fundado no pensamento gnóstico do primeiro século, no qual o conhecimento "elevado" era a tábua de salvação, dentre outras coisas.
Postar um comentário