Não houvera Isabel assinado aquele papel, os pretos que hoje por aí estão, alguma coisa entre largados e carregados de nojo, ainda estariam escravos, ainda estariam em senzalas, ainda estariam em troncos... O quê? A sociedade seria outra? Não, não. Seria essa mesma que está aí, a mesma. Os mesmos atores e atrizes, os mesmos políticos e professores, os mesmos taxistas e mulheres da sociedade, os mesmos religiosos e as mesmas putas. A mesma sociedade...
Ora, senhores, sejamos honestos: o que de fato temos de diferente daqueles escravagistas? Deixe-me dizê-los com quatro letras: NADA. Nada, senhores, absolutamente nada. Pretos para nós são sub-gente, sub-raça. Estorvo. Não nos comove absolutamente a pele preta, a cara preta, o suor preto, a dor preta. Ainda estamos na manhã de 1888, e aquela tarde nunca chegou para os apartamentos da orla, para as casas de três andares, para a política, para os políticos, para nós, para você e eu...
Esmola, é o que achamos que é a migalha repugnante que cinicamente usamos para tapar a nossa vergonha e culpa...
OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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