Enquanto Igreja, a Igreja subsiste apenas e tão-somente na forma de Instituição. Por mais que se apresentem à praça pública como democráticas, não são: são Instituições cripto-clericais - todas. A Igreja sempre foi assim e sempre será. Mesmo após a Reforma, quando se inventou de falar de sacerdócio universal, tratou-se de um penduricalho doutrinário que, na prática, nunca teve nem terá efeito prático. Por isso, falar de Igreja é falar da Instituição. Negar isso, dissimular, é, das duas, uma: ou ignorância ou má fé.
Não há como conciliar a consciência doutrinária, a Bíblia e a Igreja, salvo assumindo-se a Igreja como Instituição - sendo, na prática, "católico", quero dizer, assumir, tanto o clero quanto o povo, que repete-se o que a Igreja ensina, crê-se no que a Igreja ensina, e faz-se o que a Igreja ensina...
Trazer a Bíblia para essa discussão é má fé - de novo. Quanto aos ignorantes, sequer se meter no assunto deviam. A Bíblia não significa, na prática, nada: o que vale é a interpretação que essa ou aquela Igreja fazem.
Sendo assim, o crente devia assumir a interpretação da Igreja - daí o "católico" acima - e calar-se quanto ao resto. E digo mais: todas as Igrejas, todas, sem exceção, são, na prática, católicas, porque nelas todos têm que crer no que o clero diz que tem que crer. E não vejo razão para, sendo assim, ser de outro modo.
Não estou aconselhando ninguém. Não estou mandando ninguém se submeter a nada. Não estou mandando ninguém deixar coisa nenhuma. Só estou dizendo que as coisas são como são, e fingir que não são assim só gera dissabor, hipocrisia, violência.
Assumir a tradição e assumir a instituição.
Fora disso, não há como brincar da coisa como ela é jogada.
OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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