domingo, 4 de janeiro de 2015

(2015/014) Estado e religião

Disseram-me que eu digo que a religião é rito e mito articulado na alienação do jogo, mas que o Estado o é igualmente, e, todavia, eu não me faço, ele argumenta, crítico do jogo político-democrático do Estado moderno...

É verdade. Até certo ponto, é bem verdade. A ditadura (miserável seja) usou justamente esse poder da alienação do jogo político-democrático para fazer com o povo o que bem quis. É verdade que há estreita e íntima relação entre o jogo da religião e o jogo do Estado. Procure em Peroratio e verá que já - eu mesmo - disse isso algumas vezes...

Posto isso, onde está o equívoco do argumento?

É que o Estado moderno montou-se EXATAMENTE sobre o modelo da Cristandade - Estado controlado por Deus. Deus está enfiado em tudo quanto é buraco - na Constituição, no Hino Nacional, na reverência litúrgica. Como disse Voltaire - o homem público tem de ser teísta e pregar um Deus que castiga e pune, blá, blá, blá...

A crise do modelo se deu (cf. Losurdo), quando as massas decidiram jogar o jogo, e a democracia não cabia mais dentro do modelito burguês-religioso.

Saída? Torná-la tão cínica e cada vez mais hipócrita - exatamente como a religião - de modo a retornar-se, de outro modo, ao modelo anterior, sem confessar-se que era essa a ideia.

Estamos ainda na longa noite da religião como controle de massas.

Mudaram os sacerdotes...

Ou, para ser menos ambíguo: duplicaram-se as instâncias de controle da massa.








OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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