segunda-feira, 11 de novembro de 2013

(2013/1340) Sobre o que um graduando ou mestrando "pode" falar enquanto graduando e mestrando


Trabalho acadêmico nas Humanidades (consideradas em seu amplo espectro) não é uma tarefa simples. As ciências de laboratório são mais técnicas, mas, salvo engano, são mais objetivas - a realidade fenomênica da matéria é capturada em experimentos críticos que, a rigor, podem, cedo ou tarde, derrubar autoridades...

Nas Humanidades, dá-se a desgraça...

Um graduando, em Humanidades, não tem o que dizer. Um mestrando, idem. Se parece arrogância, explico-me.

Tudo o que há para ser dito por um graduando ou mestrando tem de estar na literatura. Basicamente, ele lê e critica livros, refutando-os ou não através de outros livros e, em última análise, com a realidade. Assim, qualquer letra "a" que ele use, já foi dita por alguém - e ele tem de dar a fonte.

Por que o sujeito não dá a fonte? Porque não sabe: cita de ter ouvido falar. Porque não fez o trabalho de casa, o levantamento do estado da questão. Ele quer dar palpites sobre um tema, mas não tem a mínima noção do que já foi dito sobre isso, por quem, quando, onde... Isso, senhores, não é pesquisa.

E se o graduando ou o mestrando tiverem algo a dizer? Algo que ainda não foi dito? Por ninguém? Bem, nesse caso, não se está diante de um trabalho de Graduação ou Mestrado, mas Doutorado - e, nesse caso, todo o trabalho será a fundamentação dessa coisa inédita que o sujeito pensa (e talvez seja o caso!) poder dizer. Não o dirá em um parágrafo, como coisa dada, e pronto - defenderá a ideia em suas 150 páginas, vá lá, expondo-a a toda sorte de críticas, refutações e defesa...

Quando achamos que algo ainda não foi dito, em grandíssima medida se trata, apenas, de falta de leitura de nossa parte - apressamo-nos demais a dizer coisas, sem a preocupação de ouvir o que já se disse sobre isso.

Se um graduando ou mestrado quer dizer algo que ele julga que ainda não foi dito e, sendo o caso, não foi mesmo, espere o lugar e o momento para a formatação acadêmica dessa fala: uma tese, como manda o figurino...

Se não é o caso, devagar com o andor, que o santo é de barro...






OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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