sexta-feira, 12 de julho de 2013

(2013/722) Mulher, homem e o primeiro pecado - Eclesiástico versus Paulo


Eclesiástico 25,24 diz: "por uma mulher começou a culpa, / e por causa dela morremos todos". Trata-se, claramente, de uma referência a Eva, generalizada na sua forma de mulher: Eva é, aí, a mulher - e por meio da mulher, entra a culpa, logo a morte, no meio dos homens.

É a doutrina, o raciocínio e o argumento.

Já Paulo dirá de outro modo: "assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram". Está, ainda, diante da mesma referência - o Éden, mas Paulo não toma a mulher, toma o homem.

Por quê?

Estamos diante de um fenômeno de desandroginização da cultura? Paulo, em lugar de culpar a mulher, culpa o homem?

Estamos diante de uma generalização - homem, em Paulo (nessa passagem), significa a espécie humana?

Estamos diante apenas da comparação de número, não de espécie - isto é, um peca e mata, outro morre e salva?

Talvez o fato de que a passagem aponte para Jesus tenha feito Paulo tirar a mulher de cena, e colocar o homem em seu lugar - um homem na entrada, um homem na saída. Não ficaria bem pôr uma mulher como entrada...

Como interpretar essa variação da tradição judaica?





OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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