terça-feira, 2 de julho de 2013

(2013/666) Sentimentos muito, muito, muito diferentes - sobre os sentimento de (meu amigo) Ágabo em relação ao plebiscito proposto pela Presidenta Dilma Rousseff


1. Ágabo é um pastor batista, doutor em Teologia e, nos limites da palavra, um amigo. Manifestou-se no facebook (cf. aqui), revelando sentimentos em relação ao que considera "golpe populista" da Presidenta Dilma - o plebiscito. Naturalmente que o tenha feito sem estabelecer qualquer contexto para a proposta da Presidenta - o dia zero de tudo é a proposta, o Big Bang - não são mencionadas as circunstâncias em que Dilma, magistralmente, inverte o jogo político...

2. Senti-me desconfortável com o texto de Ágabo. Ele o chamou de sentimentos expressos. Expressei os meus, que vão aqui transcritos.

3. A seguir, primeiro, o texto de Ágabo. Abaixo, minha reação.


Prezados(as)
Desculpem, mas os últimos acontecimentos estão me incomodando e levantam em mim alguns questionamentos, que quero partilhar. Trata-se de incômodo, coisa de sentimento, pequenas coisas, mas me deixam em alerta.Ontem assisti na globo uma propaganda do PT reivindicando direitos autorais das "diretas já" e "do fora Collor", deixando para a audiência, subentendido, que está ao lado dos movimentos que acontecem no momento por todo o país. Eu não sei se o departamento de marketing do PT, acha mesmo que todos nós não entendemos nada de "propaganda"!! Eu confesso, que me senti um pouco ofendido com isso, acho que ando muito sensível!! Os mais velhos sabem que não foi o PT quem fez o movimento, mesmo que muitos petistas tenham participado dos movimentos do passado, pois ERAM - os petistas -, naqueles tempos, um partido do povo.
A "sua excelência, a presidentA" agora, quer aproveitar a deixa dos movimentos e dar um golpe "populista", convocando um plebiscito ( lembrei da Venezuela e da Bolívia), por certo (aqui vai de novo sentimento) para legitimar uma espécie de perpetuidade no poder. Que parece ter sido projeto original do PT nos tempos de José Dirceu, na presidência de Lula. Lembrei daquela propaganda que uma bandeira vermelha vai a frente da bandeira do Brasil, e atrás vai uma bandeira do PT, e olha que não tenho nada contra o vermelho, apenas acho que o responsável pela propaganda queria dizer alguma coisa com isso.
Será que o governo não entendeu os movimentos, ou está se fazendo "dormente" para dar um golpe, legitimado por um plebiscito? E ninguém venha me dizer que um plebiscito a moda do "marque com um X a resposta certa" irá refletir a vontade do povo. Porque na experiência da America Latina faz calar as vozes proféticas. Entendam, que não me arvoro de ser voz profética aqui, apenas expresso sentimentos, pelas minhas caminhadas de vida. Vivi a ditadura, como jovem estudante de Teologia e Filosofia, visitei a "cortina de ferro", assim chamavam os países comunistas, nos anos 80. Vivi sete anos em um estado socialista, conheço e desejo suas benecies, mas não simpatizo com este populismo a preço de feira, que não possibilita um olhar crítico, mas alienante.

Ágabo Borges de Sousa
Sentimentos de um Brasileiro.

4. Como antecipei, minha reação.


Se é para expressar sentimentos, e apenas isso, se somos, todos, não-profetas, expresso os meus.

Discordo, respeitosamente.

Respeitosa, mas radicalmente.

O que eu vejo é Dilma acuada politicamente - eventualmente, por erros seus e de seu Governo -, percebendo que as ruas serão controladas pela Globo, pela mídia, pela direita, pelos reacionários de sempre - e também pelos novos reacionários - e, percebendo que pode devolver às ruas a pressão que sofre, desestruturar a maquinação política dos espertos, dá um xeque inteligente. Não é mate, mas é xeque.

Inverteu o jogo. Deu a pauta. Sai do canto. Saiu das cordas.

Populista?

Discordo. Radicalmente. Quer o povo na rua contra ela, contra o Governo, é patriotismo. Dizer, então, que esse povo decida, é populismo - vejo, aí, uma análise comprometida.

O que importa é que a jogada inverteu o jogo e, agora, todo mundo "com medo" do que o povo pode decidir. Quando é contra ela, viva o povo, mas, na hora de a onça beber água...

Apoio a Reforma Política - que os atores contra-Dilma não querem, você sabe. Dilma quer, Lula quis. Mas não se consegue o que o Congresso não quer, quando ele quer não querer. Por isso, Dilma jogou bem - porque, agora, os atores terão que enfrentar a questão de se é Dilma ou eles que não querem mudanças políticas...

Se plebiscito, se referendo, isso se resolve nas negociações.

Enquanto isso, fico rindo do nó de marinheiro, do nó de gravata, do nó górdio que Dilma deu nos políticos profissionais.

Lição de política como jogo.

Com todo respeito,

Osvaldo Luiz Ribeiro
(sentimento de outro brasileiro)





OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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