sábado, 19 de janeiro de 2013

(2013/032) Deus, fé e a santa presunção

1. Pode-se ensinar "Deus" conforme os dois mil anos de cristianismo-filosofia grega o construíram. Todavia, não é possível encontrá-lo, neste "formato", no AT...

2. Zabatiero e eu falávamos disso, hoje, em outro contexto. Mas é sempre conveniente lembrar (mas há quem sequer se tenha dado conta disso!) que a forma como a "divindade" é apresentadas nos inúmeros textos da tradição do AT não tem nada a ver com a imagem que hoje carregamos nos olhos...

3. Lá, ele era fisicamente limitado, morava num templo-castelo sobre as águas das nuvens, tinha ordenanças, tinha panteão, tinha rivais, tinha esposa, era descrito de forma antropomórfica, um guerreiro, um rei, um soberano, tinha forma, corpo, mãos, pés, olhos, boca...

4. Aprendemos que era a forma como eles entendiam - mas não nos damos conta de que a nossa forma é igualmente a forma como nós entendemos a coisa...

5. Os teólogos apologistas, os teólogos descuidados, mesmo a filosofia, trata "Deus" coisa coisa dada, dadas nesses termos nossos, favas contadas, início de axiomas, como se o que pensamos de Deus não pudesse não apenas estar equivocado, mas ser uma ilusão...

6. Não digo que ler o AT nos deveria necessariamente pensar na possibilidade de que nossa própria crença seja uma ilusão, a despeito de ela poder rigorosamente ser, mas deveria nos levar a considerar, humildemente, de forma humana e sincera, verdadeira e honesta, que, assim como eles tinham ideias, as deles, nós temos as nossas, e que não há nada que nos garanta que daqui a mil anos não serão outras, completamente diferente das nossas...

7. Nada é mais necessário do que à teologia do que a humildade...

8. Mas nada é mais forte na fé do que a presunção...




OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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