sábado, 19 de janeiro de 2013

(2013/026) O objeto, o intérprete, o rei e a pesquisa

1. Acho que na exegese, na história, na arqueologia, de modo geral, há três níveis de trabalho.

2. Primeiro, o nível bruto. A coisa concreta que se fez. Os atos concretos, objetivos, históricos e duros. Por exemplo: a carta de Judas está aqui, na minha frente - alguém a escreveu. Isso é inapelável. Objetivo. Não há tese pós-moderna que desminta isso...

3. Segundo, o que a carta quis dizer. Esse nível semântico, intencional, é mais complicado. Pode-se negar que eu possa recuperar esse sentido - e prove-se. Mas não se pode negar (se bem que há quem faça, e ria de quem leia o que ele escreve) que se escreveu Judas com uma intenção. 

4. O trabalho da exegese está diretamente ligado a essa intenção: ou você a recupera exatamente como ela era, ou não estou interessado em ler seu trabalho, está bem?

5. Terceiro nível: meu juízo sobre isso. Nesse ponto, é um desdobramento ético do trabalho. Necessário, mas é um nível subjetivo, que depende de minha cultura mais do que da cultura a que o objeto pertenceu...

6. Eu aceito apenas uma coisa: que me digam que estou errado na interpretação que fiz. Que se pegue meu texto, o texto interpretado por mim, se comparem os dois e me mostre onde errei...

7. Dizer assim: ah, Osvaldo, uma metodologia diferente produziria resultados diferentes é a mesma coisa que dizer que se o pênis fosse no fiofó eu mijava para trás...

8. Não me importam os métodos: importa-me o objeto estudado. Sejamos criativos nos métodos, mas sejamos patologicamente fiéis ao objeto estudado...

9. Ele é o rei.

10. O intérprete, não.

11. O intérprete não é Chico Anísio...




OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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