2. Eu acredito que é possível recuperar o passado. Não é fácil, não é a sua reprodução objetiva inapelavelmente perfeita, cada minuto, cada sensação: mas o movimento objetivo das coisas objetivas...
3. Quando faço exegese, acredito que posso entender perfeitamente o sentido que uma palavra tinha. Acredito que posso recuperar o sentido de um rito antigo. Acredito que posso recuperar o significado de um símbolo antigo.
4. Arqueologia - exegese, história, filologia: tudo isso é arqueologia semântica.
5. Quando leio um livro desses campos, preciso saber se quem escreveu acredita nisso e se empenhou ao máximo para me dar isso que eu quero.
6. Se ele vai falar de tradições antigas, eu quero as tradições antigas: seu conteúdo, seu significado, seu uso...
7. Ele pode e deve ter sido criativo para encontrar respostas que outros não encontraram - se ele é o primeiro a encontrá-las. Ele pode ter inventado um caminho para chegar lá, um método novo. Não importa.
8. O que me importa é uma coisa só: ele chegou; Me mostra. Pelo amor de Deus, deixa eu ver!
9. Se o autor, todavia, disser para mim que é arte, que o resultado é criativo - o resultado, não o método! -, eu não quero ler.
10. Se um congressista me disser, no início de sua palavra, que ele tem algumas coisas criativas a dizer sobre coisas do passado, de todo modo, inalcançáveis, abandono o congresso.
11. Não estou dizendo que as coisas devem ser como eu quero.
12. Estou apenas dizendo que eu quero as coisas assim.
13. É assim que faço.
14. Submeto-me a toda crítica possível e submeterei qualquer trabalho que eu ler a toda crítica possível - mas essa é a condição: os olhos do cara devem brilhar e me dizer (e eu julgarei se de fato foi assim) que encontrou a resposta...
15. Teatro, arte, criatividade, leio Saramago. Mil vezes melhor.
16. Mas, na minha mesa de trabalho, arte, só na inventividade de chegar lá - de jegue, de balão, de teletransporte, não me importa como: mas tenho que chegar lá.
OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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