quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

(2013/062) Sobre o Êxodo visto a partir de Amós

1. Amós, escrito por volta do século VIII a.C. - pelo menos aí é o mais longe onde podemos chegar -, conhece um "êxodo". Não é lá muito honrosa a referência. Amós não tem do êxodo uma ideia muito exclusivista ou fantástica - ele diz que Yahweh teria tirado Israel do Egito, os filisteus de Cáftor e os arameus de Qir. Ou seja: onde todo mundo tem um êxodo, não há bem um êxodo...

2. O Livro de Êxodo, todavia, conta-nos uma super-história. E, então, pensamos o passado de Israel e de Judá por meio desse livro. Todavia, não é histórico o conteúdo. Não duvidaria de um êxodo, mas algo menor - põe menor nisso -, em que um grupo (sem Yahweh!) de poucas pessoas participa em algum lugar antes do século IX, cujas histórias são, mais tarde, incorporadas e inflacionadas no pós-exílio.

3. Assim, a influência egípcia em Israel é super-dimensionada.

4. Não diria, não apostaria, não reconheço maior influência egípcia em Israel do que a influência da Fenícia, por exemplo, da Síria. Não diria nem Canaã, porque parece que Israel e Canaã são o mesmo povo, em termos históricos.

5. Claro que há contatos. Há salmos que são descaradamente "egípcios". Mas acho que a influência é compatível com a posição geográfica de Israel, mas não responde pelas prerrogativas do livro do Êxodo.

6. No pré-exílio, antes dos persas, que são quase tudo que cremos a partir do judaísmo (juízo final, anjos, demônios, a ideia de Deus ser bom, ressurreição (?)), os povos do entorno de Israel influenciaram-no tanto quanto o Egito - e nenhum deles tanto quanto, depois, a Pérsia.




OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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