quinta-feira, 9 de abril de 2015

(2015/401) Êxodo e fantasia

Se se tem à frente dos olhos o fato de que o livro do Êxodo e seu inteiro conteúdo é uma criação sacerdotal pós-exílica totalmente imaginária, construída sobre traços de tradição do Norte (Israel) de havia 250 anos, quando da destruição do vizinho de Judá; se se tem em mente que tudo ali é imaginário, fabuloso, criado mesmo no cadinho fantástico da política com fins de legitimar posições sacerdotais em face do conflito com a população da terra, então se conclui que tudo quanto se vá dizer com base no conteúdo desse livro é racionalização do feérico, é tradicionalização do inventado, é reelaboração de elaborações maravilhosas: nada aí é concreto, histórico e verdadeiro...

O leitor moderno, não declaradamente fundamentalista, mas comprometido ainda com as noções-fetiches da tradição religiosa, tem uma escapatória: abraçar com toda a alma o ectoplasma pós-moderno, onde nada é real, nada é verdadeiro, nada é concreto, onde nada é coisa nenhuma (salvo as contas bancárias) e, então, tratar da mesma forma como antes - literatura programática político-teológica - o amontoado de programas político-religiosos do Êxodo. O sacerdote que escreveu o livro não mentiu, ele dirá, já que mito não é mentira, e ele mesmo não mentirá, a fortiori...

Mas é tudo fantasia...

Tudo.









OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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