sexta-feira, 22 de março de 2013

(2013/315) Título-tema para uma tese de doutorado: "Ouroboros: do Espírito à Física Quântica e da Física Quântica ao Espírito": reflexões reativas ao breakfast de Rob Bell


1. Não acho que eu vá escrever essa tese...

2. Quem sabe?

3. Mas fica a sugestão: "Ouroboros: do Espírito à Física Quântica e da Física Quântica ao Espírito".

4. Do que trataria? De uma ideia que tenho. Ei-la.

5. A interpretação pop da Física Quântica deve-se a correntes subterrâneas de pensamento hermético que circulam na Europa há alguns séculos e, com grande expressão, nos séculos XIX e XX. São essas tradições herméticas o encontro fecundo entre tradições gregas e, mais recentemente, tradições extremo-orientais, particularmente Hinduísmo e Budismo. No século XX, também influências muito fortes do Taoismo chinês.

6. Esse grande rio subterrâneo alimentou o complexo intelectual da intelligentsia europeia, e funcionou como um substrato paradigmático para a interpretação dos fenômenos indiretamente observados nas pesquisas de ponta da Física.

7. Com os olhos presos nos resultados das experiências e com a cabeça fervilhando de analogias próximo-herméticas, as interpretações foram se estabelecendo, não sem questionamentos (cf. Michel Paty, A Matéria Roubada, por exemplo - mas não vou ficar citando fontes).

8. Uma vez que o corpo pop da Física Quântica ganha formato, populariza-se ainda mais em obras de divulgação científico-religiosa, como as de Frank Capra.

9. Tem-se, então, uma "cosmovisão" assumida. Algo semelhante se dá em outro campo - os manuscritos do Mar Morto. Acompanhei durante um bom tempo as discussões, mas abandonei o interesse, uma vez que a interpretação arqueológica decidiu-se - com razão? - pela leitura pop das ruínas de Qumran como se referindo a um mosteiro essênio. Depois disso, tudo é lido a partir desse Grande Atrator...

10. No caso da Física Quântica pop, o rio hermético deu-lhe a configuração apropriada para a próxima fase: o retorno ao Grande Espírito. A Teologia vai aderindo lentamente, apropriando-se lentamente do que, no fundo, não é mais Ciência, mas religião fluida, diluída, vestida de roupagens não greco-romanas, mas, nem por isso, novas: essas roupas se vestem no Orientem há milênios...

11. Os dogmas cristãos vão sendo arrancados do Personagem que, nu, começa a ser vestido com as roupas apropriadas à "Física Quântica" (como gostam, os teólogos, de referir-se a ela como "fundamento" de uma nova percepção teológica!). O religioso que, adquirindo lucidez histórica, dava-se conta do ridículo da doutrina, cuida poder manter as coisas funcionando com esse novo arranjo teórico, essa nova mística...

12. Não me surpreende, pois, o namoro de Rob Bell com essa "tendência". 

12. Pois eu lhes direi que essa nova onda teológica ainda será percebida como mais uma vitória do Oriente sobre o Ocidente - quem sabe, da China? No campo econômico, o Ocidente dará lugar aos gigantes da terra do Sol Nascente - e, no campo filosófico-teológico-pop-científico, também...

13. O que começa como a introdução paulatina da mentalidade teológica oriental no Ocidente serve de contorno teórico para a Física Quântica (na sua versão pop-midiática) e, paulatinamente, vai se apropriando da Teologia. Ouroboros. O ciclo se fecha. O Tao engolirá Yahweh...




OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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