1. Amigos meus há que, gente boa até, consideram que a verdade é pós-humana, que os "objetos" são pós-humanos, que é o discurso humano que captura os objetos...
2. Não há a menor possibilidade de isso fazer sentido.
3. A espécie humana é eco-situada. Nasce numa escala que passa pela Tabela Periódica (organização de carbono), pela Biologia (pela Vida), organização orgânica de carbono (podia ser diamante, mas é carne humana) e, então, passa pela culturalização...
4. Meus amigos, não é a culturalização, último estágio do processo, que determina a existência dos objetos...
5. O homem come objetos antes de falar, antes mesmo de pensar. Não apenas os hominídeos originais do último corte de nossa árvore, mas os ancestrais não hominídeos desses hominídeos alimentavam-se de objetos, sem pensamentos, sem consciência, sem fala - e eles estavam lá...
6. Um rola-bosta não fala, não tem discurso, mas, quando ele está a empurrar alegremente sua bola de bosta, às vezes ela trava numa pedra, num graveto, e o pobre gasta alguns minutos tentando vencer o obstáculo que está lá, fora dele, e não consegue, até que, num gesto aleatório, empurra a bola de bosta para um lado, e ela solta de onde estava presa, e ele continua sua caminhada...
7. O Universo está aí, antes de chegarmos, ele e seus objetos. Está aí, agora, lá fora, quando estamos aqui, ele e seus objetos. E estará aí, depois que nos tivermos ido.
8. Nossa linguagem não tem nada de demiúrgica. Ela não cria coisa alguma, a não ser comunidades de comunicação e histórias imaginativas, como as de A Jangada de Pedra.
9. Chame de verdade o que você quiser. Independentemente disso, há uma relação tal que você afirma a presença de uma coisa ali e ela tem de estar - se está, todos verão, se não está, só você: a isso, chame-se erro, alucinação, mentira para si e mentira para os outros.
OSVALDO LUIZ RIBEIRO
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