2. Hoje foi a noite de abertura. Estava programada uma palestra do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Contudo, em face de outras demandas, veio em seu lugar um assessor dele, um paraibano que assumiu o Pernambuco como seu estado paterno: Ariano Suassuna. Para mim foi uma troca para além de boa, ainda que nunca tenha ouvido discurso ao vivo do governador local.
3. O mestre Ariano Suassuna falou sobre as disciplinas mais importantes para ele, e que, segundo ele imaginava, provavelmente não constituem a prioridade das agendas da maioria dos presentes ao evento: História da Arte; Filosofia e Cultura brasileira. Falou sobre muitas coisas, todas interessantes. Repetiu o refrão, que já tinha ouvido dele, que as universidades brasileiras, na maior parte de sua trajetória, tinham ficado de costas para o povo, espelhando-se em grandes ícones do exterior, esquecendo ou ignorando as expressões filosóficas e culturais brasileiras.
4. Música, teatro, filosofia, sociologia e até religião deveriam ser ensinados nas escolas e universidades. Pois tratam de formas de expressão da cultura de cada povo, essa cultura que nasce sempre local e pode tornar-se universal no processo de recepção e atribuição de valor. O progresso tecnológico não pode avançar sem o lastro e o fundamento da base humanística.
5. Foi uma noite que valeu a pena; encheu o coração de alegria. Fui cumprimenta-lo, alegre em fazê-lo. Disse-lhe que o via como um o herói da obra de Cervantes, lutando contra moinhos. É um mestre. Disse que continuaria a sua luta, pois não pretende morrer tão logo. Quem faz como o mestre fez não fez como o mestre faz. Sobre a cultura vai aí uma frase de efeito dele: “A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.”
OSVALDO LUIZ RIBEIRO

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